quarta-feira, 6 de abril de 2016

Elvira & Cª :" A última das Guerras" na Casa do Coreto

 Assinalando o 98º aniversário da Batalha de La Lys, no Centenário da I GG
Elvira & Cª
apresenta na Casa do Coreto
a sessão de contos: " A última das Guerras"

 
1914-1918, foi a guerra para acabar com todas guerras. Mas afinal foi mais uma entre outras. 
Partindo de vários textos sobre tema tão delicado, a Guerra, o objetivo é realçar a crueza de tempos idos, à luz dos tempos atuais e verificar se a diferença é assim tão notória.
Duração ≈ 60 minutos
(vídeo em: http://goo.gl/DIVnQg )
 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Elvira & Cª - Mini-Seminário de Ornitologia nos Hipopomatos na Lua

Elvira & Cª esteve no passado sábado, 20 de fevereiro, a convite da Kalandraka Editora Portugal no ESPAÇO KIDS do 2.º Seminário de Oncologia Pediátrica promovido pela Fundação Rui Osório de Castro
Foi uma sessão muito divertida e participada que adorámos e partilhamos algumas fotos.
No próximo domingo vamos estar pelas 15h na Casa do Chá e da Leitura dos Hipopómatos - Jardins da Biblioteca Municipal de Sintra





segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Tirar e Pôr






Tirar & Pôr
de Lucie Félix.
 Mini Orfeu (2015)







Tirar e pôr é um livro que parte do conceito de opostos. As peças de cartão sucedem-se, (figuras geométricas, familiares dos pequenos leitores, numa paleta de cores maioritariamente básicas e planas), as situações sucedem-se explorando recortes e surpresas escondidas.

Partindo do pressuposto da importância da manipulação, faz da criança o agente ativo participativo. Através do gesto, dá sentido à sua interpretação da história, tornando-se cúmplice na construção da narrativa que se constrói, seguindo instruções num fio condutor, retira-se a peça da página da direita para a colocar na página esquerda seguinte.
Um livro interativo, lúdico e pedagógico no modo dinâmico da exploração de situações opostas e novos vocábulos, deixando sempre o esplendor em cada nova descoberta. As mãos das crianças pequenas encontram neste livro de páginas cartonadas uma eterna brincadeira que lembra os jogos de encaixe e se assemelha à construção de um puzzle, este nunca terminado, pois invertendo a leitura de trás para a frente, o encaixe das peças permite uma nova leitura tão ou mais hilariante que a anterior. Uma descoberta que pode ocupar tempos indeterminados.  
Nas mãos do adulto pode (e deve) proporcionar fios condutores e teias que se constroem na sua exploração para com a criança. Escutar uma lenga-lenga, uma canção, um poema. Brincar com as pétalas de uma flor, esconder uma lua, abrir uma janela, descobrir um sorriso.
Tudo é possível num livro puzzle que aparentemente pode parecer “apenas” um livro-jogo.
Mas é muito mais que isso, uma obra aparentemente simples na sua conceção, num jogo delicado e inteligente de Lucie Félix. Autora que já nos habituou aos seus livros de imagens/manipulativos que possibilitam aumentar o léxico linguístico e a capacidade criativa. Uma excelente aposta da editora Orfeu Negro com a sua chancela Mini Orfeu dedicada ao público infantil, já que outros livros desta autora/ilustradora, infelizmente ainda não se encontram publicados entre nós.
Destinado a pré leitores, este livro pode ser acolhido por diferentes idades. Recomenda-se a adultos criativos.
Numa ou outra versão, ele transforma-se, usando a expressão de uma criança, “num livro mágico”.


Elvira Cristina Silva


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O rebanho







O rebanho
Margarita del Mazo (texto) e Guridi (Ilustrações)
Edições La Fragatina (2014)





A todos nós é atribuído um rebanho de ovelhas diferente. Já conhece o seu rebanho? Ou será daquelas pessoas que não conta carneiros pois já consegue dormir bem? Nesse caso, talvez pense que este livro não seja para si, o que duvido, pois permite explicar como é que tudo acontece.

Sem exceção, todos nós possuímos um rebanho de ovelhas diferente. Cada um tem o seu. O Miguel, personagem desta estória, tem também um. E como qualquer rebanho, faz o que todos fazem. É fácil pois, ser ovelha. Passear, dormir, comer e ajudar a dormir. Parece ser simples, desde que se siga o manual, pormenor importante, pois se isso não acontece e se foge às regras a mutação ocorre, em forma de ovelha negra. Como se pode prever pelo já enunciado e seguindo a narrativa que a ilustração da capa sugere, a ovelha negra protagonista deste imprevisto é a ovelha nº 4.
São as suas escolhas e decisões que influem no funcionamento do grupo e no repouso reconfortante ou desconfortante do Miguel.  
Com muito humor e algum non-sense, este livro aborda de modo excecional a importância da diferença no direito a dizer não e do livre pensamento. O texto, bastante reduzido mas sabiamente escolhido, relaciona-se de modo soberbo com a ilustração, também ela mesuradamente apresentada.
A simplicidade da ilustração, de técnica mista, ausente de excessos desnecessários, oferece uma narrativa gráfica fluente e concisa através de uma paleta de cores pautada pelo contraste provocado entre o branco e o preto, (o branco do espaço diurno das ovelhas e o negro da noite da criança), com apresentação ténue de algumas cores, como o verde, o azul e alguns toques de vermelho.
Destaque para pormenores que necessitam de uma leitura gráfica mais atenta e que dão um toque de cumplicidade ao leitor, como por exemplo, o mostrador do relógio nos olhos do Miguel, a aula explicativa de como funciona um rebanho, pormenores inteligentes onde a ilustração não funciona como acessório ao texto mas antes o alarga noutras leituras e narrativas, nomeadamente ao nível de leituras análogas do comportamento humano.
O final da estória revela um desfecho tranquilizador, mas não totalmente estanque, permitindo um complemento de narrativas após a leitura.
Hilariante, provoca gargalhadas francas com uma dose de carinho à mistura. Merecidamente ganhou o Prémio Melhor Álbum Ilustrado Gremio Libreros de Madrid 2014.

Elvira Cristina Silva



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A Ilustrarte quase a chegar

            

Já se sabe quem venceu a Ilustrarte 2016…

Violeta Lopiz 1
 
… foi a ilustradora espanhola Violeta Lópiz, com trabalhos para o livro Amigos do Peito, com texto de Cláudio Thebas e editado em Portugal pela Bruaá (2014).
Espreitem o processo criativo do livro aqui.
 
Violeta Lopiz 2  Violeta Lopiz 3
As menções especiais foram para a ilustradora belga Ingrid Godon…
Ingrid Godon 1
… o ilustrador espanhol Jesus Cisneros…
Jesus Cisneros 1
… e a ilustradora italiana Claudia Palmarucci.
Claudia Palmarucci 1
 
Ju Godinho e Eduardo Filipe, os comissários, informam que participaram nesta 7.ª edição mais de 1700 ilustradores de 72 países e que entre os 50 seleccionados estão os portugueses Catarina Sobral, Joana Estrela Barbosa, Teresa Lima e Daniel Moreira.
 
Ilustrarte2016-Logo-Site-223x273PX
 
A exposição da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2016 tem data marcada para dia 21 de Janeiro de 2016 no Museu da Electricidade em Lisboa (Central Tejo, Av. Brasília). Mais pormenores no site da Ilustrarte. (Tomara que chegue Janeiro!)
 
in: Letra pequena (10 dezembro 2015)
 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Pato Amarelo e o Gato Riscado

O Pato Amarelo e o Gato Riscado
Manuela Castro Neves (texto) e Madalena Matoso (Ilustração)
Caminho (2015)




“O pato amarelo e o gato riscado” é o terceiro livro desta dupla (autora/ilustradora), na mesma editora.
Em 2009 publicaram “Um Elefante Diferente (que espantava toda a gente), em 2012, “Uma Cadela Amarela e vários amigos dela”. O imaginário do mundo dos animais, na proximidade dos comportamentos humanos, numa abordagem à diferença.
Narrativas para ler com tempo e saborear o encadeamento ritmado das mesmas, precedendo ou acompanhando o desejo do leitor em encontrar uma solução final.
Característica peculiar da autora, utiliza uma vez mais, as rimas, de vocabulário diversificado no efeito cumulativo da narrativa, potenciadora de novos relatos através das peripécias vividas pelos personagens.
Nesta obra, um gato e um pato conhecem-se numa Festa Outonal dos Animais. Numa abordagem lúdica mas também pedagógica, ao contrário dos humanos, as diferenças de ambos não impedem que se tornem amigos. Os opostos convergem para o complemento de cada um.
Uma estória que centraliza a resolução de problemas ao longo de uma caminhada até ao desfecho ansiado. Nessa caminhada, o desfile de personagens adensa o valor significativo do contributo individual no apaziguar do desconforto e solidão impotente do personagem. Contributos sempre gorados, em grande parte pela presença humana, em contraste com o final, onde uma criança é a libertadora do suspense acumulado.
A ilustração identificável de Madalena Matoso, vive de um contraste de cores e formas, onde o preto e branco se cruzam com uma paleta predominantemente de cores quentes (com exceção do azul), que vai acompanhando o busílis da narrativa, sempre debaixo de chuva, numa composição bidimensional, apresentando um nivelamento tanto no preenchimento como na forma. A par de um texto denso, a técnica mista de recortes/traço/manchas recortadas que precederam a composição digital final, induzem à textura de muitos pormenores a descobrir.  
As guardas do livro remetem para um padrão, pegadas do pato ou ramos de árvores, numa mistura de cores básicas (azul, amarelo e vermelho), numa composição abstrata de possíveis leituras, desde a introdução à temática da viagem dos personagens, mas pode ser também o conjunto de caminhos ou trilhos, apelando ao percurso emaranhado do trajeto ou ainda para a mescla de cores que se sucedem ao longo da obra.   
Um casamento coerente entre texto e ilustração de um mundo ficcional, a amizade de um pato e um gato, onde os sentimentos e apegos, receios e aventuras constituem-se como o mote para a leitura do mundo real que se deseja mais inclusivo.


Elvira Cristina Silva