sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Elvira & C estão de volta: amanhã na Ludobiblioteca da EB da Parede

Elvira & C estão de volta

Elvira & C.ª estão de volta com novas malas recheadas de estórias. 

Ilustração de Raquel Nas Nuvens

Amanhã voltamos com "Algibeirices" 


"Algibeirices"
Kal And Raka à solta pelos livros contam estórias puxadas de algibeiras, 
tão repletas são de mil e um artigos
que a todos vós parecem verdadeiros. Confusos? 
De todo, não se sintam perdidos com semelhante trio de perder as estribeiras.

Escola EB Parede, Rua Almeida Garrett,, Bairro Octaviano, Parede

domingo, 25 de setembro de 2016

Jutta Bauer está em Óbidos, no Festival Literário Internacional, a partilhar o que sabe.





A minha língua é a ilustração


Jutta Bauer diz que faz livros porque não sabe fazer outra coisa, mas nunca acreditou que poderia viver da ilustração. Enganou-se. Está em Óbidos, no Festival Literário Internacional, a partilhar o que sabe. em Hamburgo, é a mais nova de nove irmãos e passou a infância a desenhar. “Os meus pais e os meus professores disseram-me que era isso que eu devia fazer: desenhar. E foi o que fiz”, conta Jutta Bauer ao PÚBLICO na véspera de participar no Folio - Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorre até 2 de Outubro. No entanto, a vencedora do Prémio Hans Christian Andersen 2010, o mais importante para quem se dedica à literatura para crianças, pensou estar destinada a ser enfermeira. “Durante dez anos, cuidei de pessoas com deficiência”, recorda. “Agora, já posso viver da ilustração, mas quando se começa nunca se acredita.”Jutta Bauer diz que não precisa de muitas palavras - “a minha língua é a ilustração”. Afirmação fácil de comprovar através dos seus livros A Rainha das Cores (que acaba de ser editado em Portugal pela Bichinho de Conto, houve uma edição em 2002 da Cobra Laranja) ou Quando a Mãe Grita(2006), Selma (2009) e O Anjo da Guarda do Meu Avô (2014) editados pela Gatafunho.
Quando cria as suas próprias histórias, não tem bem a certeza se lhe surgem primeiro as palavras ou as imagens. “Aparecem em simultâneo, mas preciso de poucas palavras.”
Quase sempre começa por construir um storyboard, a preto e branco, prática que lhe ficou do cinema de animação, e depois vai deixando a história crescer e pinta-a no computador. Às vezes, escreve uma frase e desenha mais tarde. “Outras vezes, faço um desenho e nem sei o que hei-de dizer…”, descreve divertida na livraria Buchholz em Lisboa, onde nos recebeu.
Estudou Design e Ilustração, define “ilustrar” como “falar através de imagens” e diz que lhe é muito mais fácil desenhar do que falar ou escrever.
A mãe era filha de agricultores - “sempre a vi como doméstica, a cuidar dos filhos” - e o pai era professor primário, “às vezes, oh, entrava pela minha sala de aula adentro, quando era preciso substituir a minha professora”. Mas corria tudo bem.
Quando era criança, tinha livros de todo o tipo. Recorda que não é de “uma família muito letrada, cheia de bons livros”. No entanto, havia bastante variedade: “Muita banda desenhada, livros comuns, triviais, alguns clássicos ilustrados. O meu pai trazia muito Rato Mickey [Walt Disney].”
Mas as suas preferências iam para O Ursinho Petzi (Rasmus Klump) e mais ainda para as histórias da família Mumin. “Fui e continuo a ser grande admiradora de Tove Jansson.” Diz encontrar um pouco de todas estas personagens nos livros que faz, “animais que se divertem, mas que correm sempre alguns riscos e encontram formas de se desenrascar”.

A melhor vida que se pode ter

Jutta Bauer recorda também como sempre gostou de ver catálogos: “De sapatos, fatos-de-banho, cadeiras”, enumera. “Adorava ver e pensar em todas as coisas que iria ter no futuro. Depois, nunca as comprei”, conclui com uma gargalhada. Admite que talvez fosse o design a chamá-la.
A ilustradora diz que gosta de ser alemã e que tem a melhor vida que se pode ter, “ninguém me diz o que fazer, consigo viver do meu trabalho, viajar, vir até Lisboa”. Tem um filho de 30 anos (“é político, num partido ecologista alemão”) e de quem espera que lhe dê rapidamente um neto, que certamente “vai ter muitos livros”.
Na história de A Rainha das Cores, é através do choro que a protagonista consegue devolver o colorido ao mundo. Perguntamos-lhe se acredita que temos de sofrer para então resolvermos os problemas. Resposta: “Não temos, mas se sofrermos e chorarmos, então temos mesmo de resolver os problemas. O choro pode ser o princípio para solucionarmos as coisas.” E fala da Alemanha: “Depois da guerra, nós não chorámos, a sociedade preferiu esconder, não olhar para o assunto. Por isso ‘o cinzento’ não se foi embora. E o que eu aprendi foi a olhar bem para as coisas, chorar muito e superá-las depois.”
Jutta Bauer estará neste domingo em Óbidos, à conversa com Pia Kramer, às 15h00, na Galeria Nova Ogiva.
in: Publico

ler também : As histórias andam por aí...in Sábado

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Tão Tão Grande

Tão Tão Grande
Catarina Sobral
Orfeu Negro (2016)

“Tão Tão Grande" é o novo livro de Catarina Sobral, talvez não o seja no formato, mas Tão Tão Grande na importância do tema que aborda.
A autora /ilustradora transporta-nos para um quarto, onde são visíveis os brinquedos de criança, personagem protagonizada por um hipopótamo que ao acordar se depara com a transformação do seu corpo. Baseando-se na premissa kafkiana da transformação, com referências explicitas no texto e nas guardas iniciais, a ligação ao personagem é dada numa ilustração por nivelamento, com síntese de formas do meio natural em formas geometrizadas. 
As ilustrações a lápis de cera combinam com o interessante contraste entre o branco e a cor, com um evidente equilíbrio nas manchas de cor, pautadas por uma paleta que se aproxima do fauvismo. 
A distorção das perspectivas proporcionam ao leitor uma experiência imersiva e sensorial  na atmosfera do cenário afetivo do lar. O letring escrito à mão, ao invés de escrita digital, apresenta uma coesão entre as palavras, sendo também a distribuição textual da narrativa apelativa, variando o ritmo e entrosando-se com a ilustração resultado da composição manual. 
As sombras oferecem-nos um dramatismo estético, estilizando a experiência próxima de cinema "noir", o receio infantil do crescimento (como o de todas as mudanças) e da entrada na aventura de uma nova fase do desenvolvimento humano. A sombra transporta-nos para o desconhecido, o encoberto, um futuro que se inicia com dúvidas e anseios. Fases do desenvolvimento humano que crianças e adultos vivenciam revelando fragilidades e anseios. Ao contrário da transformação de Kafka, nesta narrativa, Catarina Sobral, deixa o leitor surpreendido perante a confrontação com o real e a  estranheza do crescimento, dando-lhe uma viragem não só narrativa como estética. 
É esta mudança, que por oposição à metamorfose aberrante e incomodativa de Kafka, o leitor mergulha no sentimento da voz que o próprio desconhece, num corpo confrontado com a  inevitabilidade mudança da idade. Inversão também registada nas ilustrações das guardas finais. 
Olhares atentos encontrarão leituras simbólicas. Uma ode ao crescimento, numa narrativa deliciosamente estética, recheada de arrefiares e de neologismos, característicos da autora. 

Elvira Cristina Silva
in: Newsletter Pró-Inclusão nº 100 - pág 8

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sonho com asas

Sonho com Asas
Teresa Marques (texto)
Fátima Afonso (Ilustração)
Kalandraka (2016)


Voar é um desejo comum na história da humanidade. Muitos o anseiam, poder voar sem limites, ter asas.
Pode não se saber o que se quer, não desejar mais nada, apenas voar sem destino, para quem a cabeça está em estado, frequentemente, natural de cabeça no ar, nas nuvens, na lua. 
Das palavras de Teresa Marques já conhecemos a poesia. As ilustrações de Fátima Afonso[1] de técnica mista, oferecem um realismo mágico com detalhes científicos e pormenores com equilíbrio estético bem interessante, onde proliferam os elementos de água, pássaros, e as penas, numa alusão ao voo, são uma constante. 
Referências às viagens com barcos, aviões e malas. Os registos fotográficos, retratos de momentos importantes das vidas, pequenas viagens ao passado, regressos fugazes,  simultaneamente a par do movimento para o futuro, tempo por vezes adiado, fechado em gavetas. Texto e ilustração numa união perfeita de poesia e fruição estética. 
Acredite-se ou não em fadas, voamos na metáfora de percorrer os sonhos. Porque sem asas, eles não se concretizam, (imagem da protagonista na cadeira, ela própria com asas).
Um livro poético que convida à concretização dos sonhos, afinal é o "sonho que comanda a vida" dizia o poeta António Gedeão. "Pelo sonho é que vamos" (Sebastião da Gama).
É deste modo, que os livros que se julgam ser unicamente para as crianças são um engano. Este livro é um exemplo disso, uma viagem aos nossos sonhos ou o que desejamos, libertar os nossos espartilhos mentais e abrir as asas ao mundo.  
Livro que recebeu uma menção honrosa no VII Prémio Internacional Compostela para Álbum Ilustrado.


Elvira Cristina Silva

in: Newsletter Pro Inclusão nº 100 - pág. 9


https://gallery.mailchimp.com/c51779258ed6a5714505b7438/files/News100_jul2016.pdf



[1] Ilustradora que conta com uma exposição no Auditório António Cabrita no Barreiro até 16 de outubro 2016  - http://www.cm-barreiro.pt/frontoffice/pages/791?event_id=487

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Rei Inchado







O Rei Inchado
Texto de Maria João Lopes
Ilustrações de Catarina Correia Marques
Máquina de Voar (2014)





Uma feira de vaidades onde tudo se vende! Brilho, talentos, troféus... Qualquer tipo de vaidade pode ser ali negociada. O rei, claro, por vaidade própria e consequentemente pela sua fraqueza tudo comprou e claro, depressa inchou com tanta vaidade!
A metáfora da superioridade, personalizada num rei caprichoso, caricaturando o poder e o indivíduo que tão centrado no narcisismo não consegue olhar os seus semelhantes: "a impossibilidade física de uma pessoa tão vaidosa ter os pés assentes no chão." 
A ilustração de decoupage, com contornos a grafite, na sua montagem digital, permitem evidenciar as diferentes texturas que intensificam os desenhos. 
Um livro de 40 páginas (peca, infelizmente, pela ausência de numeração nas paginas) que de modo hilariante evidencia os desvarios do poder e da frivolidade humana. 

Elvira Cristina Silva